- eine Ente ist nur dumm!
Eu disse em alto e bom som pra que meu pai entendesse a raiva que eu sentia dele naquela hora.
- Não filho, não é uma estupidez, este é o Duck, ele é magico!!! Sempre que você estiver com ele, eu também vou estar.
....
Besteira.
Ele se foi e me deixou ali, deixou-nos melhor dizendo.
Duck era só quem eu tinha naquela hora, estava anoitecendo.
Quando o frio começava a castigar de leve e o vento batia as janelas de madeira rangendo as dobradiças meio enferrujadas minha mãe chegou.
- Ist er weg?
- Jetzt. Eu disse cheio de lágrimas ainda segurando pelo braço aquele pato beiçudo, amarelo de bico branco e olhos castanhos.
Ela sabia que esse dia chegaria, eu é que ainda vivia iludido com a idéia de que as coisas pudessem mudar e minha família ficasse junta.
- Los geht's morgen. Sie müssen Studie.
Dieser Betrieb ist nicht für Sie!
Só acenei com a cabeça e me virando fui deitar ajeitando o pijama largo de calças furadas que minha tia insistiu pra que eu aceitasse porque meu primo já não as cabia usar tamanho trapo.
Entrei num onibus pela primeira vez que me lembro de ver outro cidade que não aquele amontoado de concreto e cercas de arame da Munich fechada.
Chão batido e carros, pessoas com jeans e camisetas. Prédios com estilo gótico, igrejas católicas e protestantes aos montes e logo asfalto, preto e ruidoso com o chaqualhar do onibus.
Intermitentes andantes e transeuntes amotinados... só indo e vindo.
Essa é a capital. Ali eu ia estudar, se seguisse a tradição da familia, logo viraria padre e seria mais motivos de orgulho eclesiástico e a liturgia de domingo teria voz nova nas preces matinais e vespertinas.
Não que eu suspeitasse ou mesmo concordasse com as decisões da minha mãe mas, nem eu nem Duck, encharcado de lágrimas, conseguíamos fazê-la mudar de ideia.
Meu pai tinha saído de casa aos meus 6 anos. Eu que nunca tinha saído daquela fazenda, descobri que tinha irmãs me esperando, fruto de um relacionamento extra-conjugal não muito bem sucedido da minha mãe, não que na época eu soubesse de que se tratava extra-conjugal. Mesmo hoje não sei se compreendo.
Seguíamos os três, mamãe, o pato e eu pelas escadas da Borges de Medeiros até chegar na igreja lustrosa e Valenciana do século XIX.
Pde. Medencio nos recebia com o sotaque típico da nossa raça, cheio de x e jotas com sons de z. Sua batina roxa indicava quaresma. Não comia carne e nem queijo nessa época, mas pra me fazer parar de chorar minha mãe me comprara um sandwich fresco com suco de laranjas.
Medencio me afagou os cabelos carinhosamente com um sorriso espirituoso na face ao dizer que eu seria um grande padre, coisa que logo depois eu entendi.
Tudo isso, porque meu pai, aquela coisa miserável e cretina nos deixara sem um tostão num país onde eu nem sequer sabia dizer bom dia.
Dali pra casa da mãe da minha mãe e dali pra uma peça nos fundos desta. Um retangulo de 2x4 que mal cabiam nossas camas e um armário da minha tia onde nossas roupas poucas ficavam dobradas e atulhadas com pastilhas de naftalina barata.
Duck dormia comigo noite após noite, sempre me escutava e não parecia se importar com o fato de que eu nem lhe dava tempo de responder porque falava demais e já que só ele era meu amigo e me entendia, não havia motivos pra que discordássemos sobre as coisas que ocorriam.
Aprendemos português, matemática, bicicleta e pipa juntos. Ele não gostava de aparecer na frente dos outros e por isso mal saíamos de casa. Eu cursei o primário em tantas escolas que quase não me lembro, além da barreira do idioma, meu temperamento era desregrado e eu me revelava indisciplinado por achar que os conhecimentos que me eram passados não estavam de acordo com o que eu deveria e poderia exercer.
Duck me dizia que poderíamos fazer muito mais e eu sempre analisava a sintaxe dos textos de assis enquanto as crianças do meu colégio aprendiam a separar silabas e pretendia dar um jeito nas emissões de CFC enquanto se jogava bola nas ruas de pedra da Cidade Grande.
O tempo passava pra nós dois por igual, mas cronologicamente eu sentia mais que Duck, ele permanecia ranzinza e rabugento, beiçudo como no primeiro dia em que nos vimos. Eu já sorria as vezes, ganhara um outro pai e irmãs com quem eu consegui descobrir o amor.
Eu cresci e ele se tornou cada vez menos actuante no meu dia a dia até que relutantemente foi parar num fundo de armário qualquer...
Quando no enterro da minha vó eu comentei que Duck sentia saudades do meu pai ele só me perguntou:
-Quem?
Ali eu desisti de entender aquela mente perturbada. Só pode ser genético esse desapego.
Ele não parece ter encontrado razão ou sentido na paternidade. Ao contrário de mim que encontrei toda lógica em ser pai. Eu que descobri meu coração batendo fora do peito no sorriso da Isabelle, sei que não posso existir sem que ela esteja ali. Sem ver aquele olhar pidão e os louros cabelinhos enrolados da minha pequena monstrinha que atualmente numa prova de herança genética começou a manifestar sua veia artística desenhando nas paredes e geladeiras e máquinas e tudo mais que estiver ao alcance dos curtos bracinhos brancos e gordinhos.
Todavia, meu chão se desfaz com a facilidade de um tornado quando descubro que logo vamos nos separar.
Ela vai se criar longe de mim. Não há nisso, não tentem mais me convencer de que há pois não há nisso, qualquer coisa de positiva. Sei lá quantas centenas de Km nos irão deixar distantes e meu já escasso tempo só vem a Foder de vez pra que consiga passar alguns minutos com essa criatura a quem eu amo no mais amplo sentido de todas as coisas.
Ela crescerá sem a minha (positiva ou não) influencia, vai se criar com outras pragmáticas experiências que não compartilharei com ela.
Vou me restringir a umas poucas visitas que minhas obrigações vão permitir.
Só penso e largar tudo pra que possa ir pra perto dela evitando assim essa morte anunciada.
Me diz que vazio disposto esse que se avizinha sem minha filha aqui.
ME DIZ QUE DOR MAIS QUE INFINITA EU POSSO SUPORTAR SEM O MEU SOL O MEU AR.
Não nem vou, tentar, justificar ou racionalizar essa perda. Distancia mascarada em perda. Será que ela vai me amar como agora? Não seria eu um idiota ao desconfiar do amor que EU SEI que ela tem por mim.
Que tipo de "duck" eu daria pra ela que nem me entende direitito.
Me separar da minha filha é a maior sacanagem que alguém poderia fazer comigo.
Que animo eu vou ter pra viver cara. Já me bate com facilidade um desespero em não dar certo nada que eu quero.
Como eu vo fazer pra tentar ser alguém na iminencia de perder o meu motivo de existir.
Que herança deixo pra minha alemoazinha dos olhos de mel...
O Duck ainda existe viu, tá ali no canto da minha atual cama perdido naquela casa imensa. Por muito tempo ele sequer me olhou nos olhos.... ainda esses dias nos falamos...
ambos temos muita cumplicidade no sofrimento que meu pai causou, mas ele me deixou algo bom. Minha vida, a única coisa que é minha e sob a qual eu posso exercer minha liberdade e minha existência, aquela coisa que me permitiu conhecer a Luane e tornar ela mãe assim como eu me tornei pai, realizar meu maior sonho e ser um cara completo por si só.
Amar, eu amo. Mais que todo mundo junto. Sofrer, eu sofro. Mas sozinho.
Agora, mais sozinho que nunca.
Um pato chamado Duck [herança e separação]
sábado, 7 de fevereiro de 2009
by AlphaMale
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ensaio sobre a prepotencia e a preponderancia
domingo, 1 de fevereiro de 2009
by AlphaMale
vagarilho, ando bundo, solitário por seu fim.
Ando só pois neste mundo, ninguém há pra andar por mim.
Comigo, tudo que eu queria, uma cópia de mim mesmo, pra que ainda que não eu conseguisse ser o que menos precisava e mais queria assim.
Pra que seja completo, eu, id egoísta e egocentrista, preciso que por mim me baste, e busque noutrem uma nova intrsecção. NÃO HÁ QUEM VÁ OU CONSIGO PRA SEMPRE, ENCONTRAR-SE EM OUTRO CORAÇÃO.
Se paro reparo, se disparo, imagino. SE CAMINHO, BATO PÉ, SE CAMINHO, ACEITO AQUI,UM DESTINO.
Falhei, admito. Mas é tudo supressão de momento, supensão de sentimento e o tempo te pregando peças pra que acredite, e acredite, ele consegue.
Que no fim é tudo tão simples como evitar a explosão cortando no meio o pavil da dinamite e dali se prosegue.
Sabe onde pode te levar uma viagem???
Lugar algum se você esquecer de na janela sempre olhar a paisagem.
Sou eterno passageiro. Sempre fui assim. Me pergunto quando vou de novo assumir aquele voltante que ali na frente espera por mim.
Vê quão belo é o sofrimento do poeta, que desconhece o som da própria voz, poise tudo que sente escreve e despeja sobre nós. Criatura feita de dor, cercada de amor.
Sozinha entre a multidão e que somente muito doidivana pode contemplar sua dor.
Tropeço, peço que não se repita, pois o trapiche desse coração, está numa pequena palafita.
já encontrei ou vi [ouvi] ali que meu coração é um porta aviões, perdido no mar esperando alguém pousar, meu coração é um porto, sem endereço certo, é um deserto em pleno mar.
Fala em prosa decrepto resto, te sobrará sempre a poesia até o te fim breve e funesto.
Sejamos realistas e isso nada mais é do que a forma como encaramos a realidade.
Se por fim sozinho for. Que seja o bem e o .....///Ah, quer saber foda-se mesmo.....
Ando só pois neste mundo, ninguém há pra andar por mim.
Comigo, tudo que eu queria, uma cópia de mim mesmo, pra que ainda que não eu conseguisse ser o que menos precisava e mais queria assim.
Pra que seja completo, eu, id egoísta e egocentrista, preciso que por mim me baste, e busque noutrem uma nova intrsecção. NÃO HÁ QUEM VÁ OU CONSIGO PRA SEMPRE, ENCONTRAR-SE EM OUTRO CORAÇÃO.
Se paro reparo, se disparo, imagino. SE CAMINHO, BATO PÉ, SE CAMINHO, ACEITO AQUI,UM DESTINO.
Falhei, admito. Mas é tudo supressão de momento, supensão de sentimento e o tempo te pregando peças pra que acredite, e acredite, ele consegue.
Que no fim é tudo tão simples como evitar a explosão cortando no meio o pavil da dinamite e dali se prosegue.
Sabe onde pode te levar uma viagem???
Lugar algum se você esquecer de na janela sempre olhar a paisagem.
Sou eterno passageiro. Sempre fui assim. Me pergunto quando vou de novo assumir aquele voltante que ali na frente espera por mim.
Vê quão belo é o sofrimento do poeta, que desconhece o som da própria voz, poise tudo que sente escreve e despeja sobre nós. Criatura feita de dor, cercada de amor.
Sozinha entre a multidão e que somente muito doidivana pode contemplar sua dor.
Tropeço, peço que não se repita, pois o trapiche desse coração, está numa pequena palafita.
já encontrei ou vi [ouvi] ali que meu coração é um porta aviões, perdido no mar esperando alguém pousar, meu coração é um porto, sem endereço certo, é um deserto em pleno mar.
Fala em prosa decrepto resto, te sobrará sempre a poesia até o te fim breve e funesto.
Sejamos realistas e isso nada mais é do que a forma como encaramos a realidade.
Se por fim sozinho for. Que seja o bem e o .....///Ah, quer saber foda-se mesmo.....
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Limões, limões, limões...
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
by AlphaMale
Sempre me pego analisando as pessoas.
Seu comportamento, a forma como se vestem, o jeito como riem, olham e andam. Como se sentam, escolhem o lugar no onibus.
Como reagem à certos estímulos e como lidam com a dor, o amor e a solidão.
South Star é o meu primeiro livro, estou escrevendo ele aos poucos desde 2003.
Sim, bem aos poucos mesmo. É um desses romances urbanos modernos que está amadurecendo junto comigo e assim também o personagem principal que se deita na minha cama facilmente. É uma espécie de alter ego. Meu Eu lírico como diria uma certa pessoa.
Uso dele sem pudor pra estravazar minhas frustrações e me peguei ontem escrevendo mais um parágrafo da história.
Sempre faço pequenas anotações da filosofia simplista que eu adoptei na vida e emprego essas frases de impacto nos meio-tempos do livro.
A narrativa é básica, sem muita mesura nem meus tradicionais repuxos pavonais de linguagem.
Espero um dia ser corajoso pra publicar tal feito. Muitas das cronicas e tórridas passagens do livro podem interessar, uma vez que são baseadas em momentos intimistas e reais no meu mundo. Há muitas gotas de desespero no personagem, que ainda sem nome definido, busca explicações lógicas no mundo pra entender a dor das pessoas e acredita na felicidade como um produto da imaginação.
Amor, ódio, vingança, filosofia ocidental sem pudor. Sexo, amizades, dinheiro, ideias neo-liberais, família conturbada, godzilla e a cidade. heróis em quadrinhos e páginas, mas muitas páginas musicais.
Sob o ponto de vista moral, é impróprio à pessoas abaixo dos 18 e acima dos 35, estes últimos por serem impossibilitados de entender o contexto da adolescência nos meados de mil novecentos e noventa e todos passando pela primeira década dos anos dois mil.
Esse texto, possui traços marcados de Assis, poético e oitava-rimado.
Tem quintana espalhado no azul, nos anjos, nos grilos e no platonico romance com aleatórias mulheres.
Tem Marquezismo, no sexo brutal e tem doses de ultra-violence nas fases mais conturbadas da minha controversa juvenilia.
Há momentos, ali, onde cito Presidentes e carrascos.
Sobretudo, pela necessidade de que é necessária muita energia pra se estender quase 6 anos completos na função duma única escrita.
Nesse meio de caminho, duas ou três outras tentativas de concretizar o projeto foram absorvidas pelas obrigações e deveres cada dia mais enraizados na minha vida.
Fato é que, analisando, pretendendo retomar em 2009 e até mesmo concluir o tal editavél, eu resolvi lançar mão do meu argumento inicial pra que ficasse aberto o prefácio e assim aguçasse a sede de que eu o edite.
Preciso também que, passando pelas novas experiências às quais eu mergulhei, me auxiliem e venham a também complementar tal empreitada.
começa da seguinte forma:
"aos que ora vêem esta saibam: não me proponho à ser mais um.
Deus é partícula elementar, parte do tudo e do todo, não mais do que um máximo e nem supostamente menos que tudo. Dele se fez, se faz. Disse uma vez Lavoisier baseando-se na lei de conservação de massas que, "na natureza, nada se perde e nada se cria, tudo se transforma", logo seria impossível para *alguém, criar, ainda que este fosse Deus e seu poder infinito tudo pudesse, ele se fez possível para que o mundo, o universo e as estrelas assim pudessem existir, moldando toda a criação que não assim deve ser chamada mas apenas na falta de melhor palavra eu nomeio, e isso, esta centelha divina, chama-se vida. Brotando a todo instante, dentro e fora de nossos corpos e de nossas mentes, paralela em multi-dimensões, multi facetado e repleto de mistérios.
A preguiça humana é seu maior prêmio!!!
Ela faz de nós seres tão impressionantemente hábeis e adaptáveis que nenhuma outra espécie se compararia nem com toda a evolução natural os tornaria próximos.
Criamos rodas pra não andar, criamos, criamos e criaremos aparatos pra resignar nossa comodidade em sapatos novos.
Se pode ver a diferença das pessoas, observando-se o seguinte evento.
Há um ditado que diz: Se Deus te deu limões, faça uma limonada.
Discordo.
Há quem faça malabares num semáforo perimetral, sendo essa sua única escolha ou não, somente isso ele vislumbra, não vendo portanto qualquer outra finalidade pra estes.
Não fará suco, precisa dos limões mais do que só agora.
Há quem jogue nas paredes duma casa velha na rua atrás da sua. Este também não fará suco, mas não quer os limões.
Há quem faça, e essa é a esmagadora maioria, a tal limonada bendita, beba e saia logo após a sede sentir, à caça de novos limões, nesse ciclo vicioso de cão atrás do próprio rabo.
Existem ainda pessoas como eu!!! Sim eu não faço malabares, minha coordenação motora não o permite. Eu não jogo os limões em ninguém. Acho desperdicio.
Não faço suco, meus talentos na cozinha são superiores à uma jarrada de limões frescos.
Eu, transformo, eu sou Deus, tenho Deus em mim e faço dos fragmentos divinos e da minha energia, formas novas de mudar as coisas.
Deus me deu limões e eu fiz um capacitor conduto elétrico. Moedas, cobre e alumínio, 4 limões e um diodo emissor de luz e badabin badaboom.
Se fez a luz.
Se Deus me deu limões? Se Deus disse, faça-se a luz? Se eu criei a luz. Não vejo porque não admitir nossa divindade.
Honrarias e glórias. Hosana nas alturas
Seu comportamento, a forma como se vestem, o jeito como riem, olham e andam. Como se sentam, escolhem o lugar no onibus.
Como reagem à certos estímulos e como lidam com a dor, o amor e a solidão.
South Star é o meu primeiro livro, estou escrevendo ele aos poucos desde 2003.
Sim, bem aos poucos mesmo. É um desses romances urbanos modernos que está amadurecendo junto comigo e assim também o personagem principal que se deita na minha cama facilmente. É uma espécie de alter ego. Meu Eu lírico como diria uma certa pessoa.
Uso dele sem pudor pra estravazar minhas frustrações e me peguei ontem escrevendo mais um parágrafo da história.
Sempre faço pequenas anotações da filosofia simplista que eu adoptei na vida e emprego essas frases de impacto nos meio-tempos do livro.
A narrativa é básica, sem muita mesura nem meus tradicionais repuxos pavonais de linguagem.
Espero um dia ser corajoso pra publicar tal feito. Muitas das cronicas e tórridas passagens do livro podem interessar, uma vez que são baseadas em momentos intimistas e reais no meu mundo. Há muitas gotas de desespero no personagem, que ainda sem nome definido, busca explicações lógicas no mundo pra entender a dor das pessoas e acredita na felicidade como um produto da imaginação.
Amor, ódio, vingança, filosofia ocidental sem pudor. Sexo, amizades, dinheiro, ideias neo-liberais, família conturbada, godzilla e a cidade. heróis em quadrinhos e páginas, mas muitas páginas musicais.
Sob o ponto de vista moral, é impróprio à pessoas abaixo dos 18 e acima dos 35, estes últimos por serem impossibilitados de entender o contexto da adolescência nos meados de mil novecentos e noventa e todos passando pela primeira década dos anos dois mil.
Esse texto, possui traços marcados de Assis, poético e oitava-rimado.
Tem quintana espalhado no azul, nos anjos, nos grilos e no platonico romance com aleatórias mulheres.
Tem Marquezismo, no sexo brutal e tem doses de ultra-violence nas fases mais conturbadas da minha controversa juvenilia.
Há momentos, ali, onde cito Presidentes e carrascos.
Sobretudo, pela necessidade de que é necessária muita energia pra se estender quase 6 anos completos na função duma única escrita.
Nesse meio de caminho, duas ou três outras tentativas de concretizar o projeto foram absorvidas pelas obrigações e deveres cada dia mais enraizados na minha vida.
Fato é que, analisando, pretendendo retomar em 2009 e até mesmo concluir o tal editavél, eu resolvi lançar mão do meu argumento inicial pra que ficasse aberto o prefácio e assim aguçasse a sede de que eu o edite.
Preciso também que, passando pelas novas experiências às quais eu mergulhei, me auxiliem e venham a também complementar tal empreitada.
começa da seguinte forma:
"aos que ora vêem esta saibam: não me proponho à ser mais um.
Deus é partícula elementar, parte do tudo e do todo, não mais do que um máximo e nem supostamente menos que tudo. Dele se fez, se faz. Disse uma vez Lavoisier baseando-se na lei de conservação de massas que, "na natureza, nada se perde e nada se cria, tudo se transforma", logo seria impossível para *alguém, criar, ainda que este fosse Deus e seu poder infinito tudo pudesse, ele se fez possível para que o mundo, o universo e as estrelas assim pudessem existir, moldando toda a criação que não assim deve ser chamada mas apenas na falta de melhor palavra eu nomeio, e isso, esta centelha divina, chama-se vida. Brotando a todo instante, dentro e fora de nossos corpos e de nossas mentes, paralela em multi-dimensões, multi facetado e repleto de mistérios.
A preguiça humana é seu maior prêmio!!!
Ela faz de nós seres tão impressionantemente hábeis e adaptáveis que nenhuma outra espécie se compararia nem com toda a evolução natural os tornaria próximos.
Criamos rodas pra não andar, criamos, criamos e criaremos aparatos pra resignar nossa comodidade em sapatos novos.
Se pode ver a diferença das pessoas, observando-se o seguinte evento.
Há um ditado que diz: Se Deus te deu limões, faça uma limonada.
Discordo.
Há quem faça malabares num semáforo perimetral, sendo essa sua única escolha ou não, somente isso ele vislumbra, não vendo portanto qualquer outra finalidade pra estes.
Não fará suco, precisa dos limões mais do que só agora.
Há quem jogue nas paredes duma casa velha na rua atrás da sua. Este também não fará suco, mas não quer os limões.
Há quem faça, e essa é a esmagadora maioria, a tal limonada bendita, beba e saia logo após a sede sentir, à caça de novos limões, nesse ciclo vicioso de cão atrás do próprio rabo.
Existem ainda pessoas como eu!!! Sim eu não faço malabares, minha coordenação motora não o permite. Eu não jogo os limões em ninguém. Acho desperdicio.
Não faço suco, meus talentos na cozinha são superiores à uma jarrada de limões frescos.
Eu, transformo, eu sou Deus, tenho Deus em mim e faço dos fragmentos divinos e da minha energia, formas novas de mudar as coisas.
Deus me deu limões e eu fiz um capacitor conduto elétrico. Moedas, cobre e alumínio, 4 limões e um diodo emissor de luz e badabin badaboom.
Se fez a luz.
Se Deus me deu limões? Se Deus disse, faça-se a luz? Se eu criei a luz. Não vejo porque não admitir nossa divindade.
Honrarias e glórias. Hosana nas alturas
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Toma, lambe a tampinha!!! [nostalgia]
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
by AlphaMale
Engraçado como uma coisa leva a outra, tão aleatoriamente.
Acordei hoje pensando nalgo que eu ainda não sabia bem o que era, só sei que os sonhos dessa noite não foram nada colaborativos pra que eu me encontrasse.
Um certo par de olhos, uma certa risada e ...
Enfim, esse destino é incerto, tem seus motivos mas não tem nenhuma lógica.
Pras almas não existe geografia, elas habitam e saem do corpo quando querem vagando mundo afora e causando aquela sensação de "já nos conhecemos" as vezes...
Depois do meu almoço, fui beber um iogurte pra matar a sede e completar aquele espaço vazio no meu estômago que as vezes era paixão e as vezes fome. Quando abri aquela tampinha eu tencionei lamber e...
Hoje, fazem 4 anos que vi meu pai pela última vez. Essa vez por sinal, a mais intensa de todas elas.
Foi numa única vez, a primeira vez que vi meu pai chorar, a unica vez que vi meu avô, aliás ele morreria dois meses depois.
Era Sexta, chovia pouco, era meio que uma garoa programada pra ser melancólica e estafante. Não aliviava o calor e molhava, mas deixava um cheiro brando e adocicado pela hortelã no pátio.
Eu tinha saído do trabalho pra ir até o cemitério e não acreditava direito ainda que tinha recebido uma ligação do meu pai. Eu tava chapado de erva, na época eu ainda fumava machonha e tinha visto um show do Mano Chao recentemente e aquele som mexe mesmo contigo.
Mesmo na época era algo bem raro e marcante pra mim. Ele não tremia a voz ao telefone, era entonada e mais carregada de sotaque que a minha. Dizem que a gente fala parecido, dizem poucos, quase ninguém conhece o Dani... Meu progenitor.
" ...a vó morreu" Disse retendo-se logo depois. Sei lá porque, na hora eu nem liguei muito. Mas depois fui pensando. Fora os 4, 5 anos que eu cresci com o meu pai, eu tinha visto ele 5 vezes depois só. Já a minha avó Maiquel, eu tinha passado bons anos com ela. Sim, Maiquel, minha vó tem esse nome, ele significa algo como Maria para os Eslavos. E dai veio meu nominho lindo que todo mundo erra :D.
Ele tinha um nó na garganta e eu senti isso, se quer saber, foi só por isso que eu aceitei ir com ele. Afinal ele nunca me procurava e eu sempre senti por ele o mesmo desprezo que senti pelos platelmintos.
À caminho do cemitério eu lembrava das horas engraçadas perto da minha vó que eu vi tão rapidamente nos meses de inverno. Ela era e talvez sempre seja a figura mais emblemática da família. Ela cozinhava mal, muito mal, mas ninguém ousava falar aquilo e ainda mais, repetiam com cara de feliz.
Ela nunca pronunciara uma única palavra em português, sabia ler muito bem, mas isso era só. Jamais se questionou essa decisão dela. Ainda que seja engraçado ela ter me inserido no universo Quintanesco , dizia que era o único poeta de quem gostava fora Goethe e Heine e Shakespeare que esse último é meu favorito.
A família era dividida em duas:
uma parte era colada com a vó, filhos, netos, irmãos dela. Todos.
A outra por sua vez eram, meu pai e meu avô, Fitzgerald, eles haviam a muito se separado e só meu pai ainda via meu vô no asilo.
Não que eu sinta saudades do cara que me tirou do saco dele e me jogou no mundo, mas confesso que teria aprendido muito com ele se aquele sarcasmo egoísta não fosse uma parede instransponível pra um moleque novo como eu.
Afinal ele sempre teve, segundo me dizem e eu já vi, uma aptidão fora do comum com numéros primos e lógica fundamental além das dinâmicas do movimento, temperatura e aérea.
Sem falar que ele conseguia deixar boquiabertos mesmo os mais entendidos sobre qualquer coisa com a desenvoltura com que desenvolvia seus textos e era digno dum prémio de oratória; é um grande homem, ainda que não passe de um traste.
Sei que ele tinha algum orgulho do filho pretenso físico, sei que ele gostava de perguntar pra minha mãe sobre as minhas boas notas e que gostava de saber que eu cantarolava as canções que ele me ensinou quando criança. Mas, éramos parecidos demais pra que ele admitisse tanto quanto eu que sentíamos falta um do outro e nem mesmo os outros filhos dele supriam essa carência dele assim como eu não tinha como preencher as lacunas minhas com um pseudo-pai.
- Teríamos sido grandes se nos uníssemos. Eu pensei uma vez. Mas as coisas são como devem ser e ponto.
Aquela garoa mantinha-se no mesmo movimento continuo e sem vento. Eu mal conseguia pensar estando quase ensopado, mas isso era uma questão de ponto de vista. Eu não conseguia era ordenar os pensamentos, mas eles estavam lá. Em cadeia, fundamentando-se nas minhas horas mais felizes.
Depois da cerimonia breve e quase vazia. O corpo desceu, coberto de terra, o caixão marrom carvalho parecia brilhar como sol atrás de nuvens de chuva. Lá se vai meu ultimo resquício de passado.
Depois daquilo, meu pai e eu, saímos pra jantar onde sempre nos encontrávamos quando a coisa envolvia nossos assuntos.
Nenhuma palavra foi dita.
Ele não chorava mais, eu não tinha mais pena dele, nem paciência de ver ele comer vitelo.
Sai dali escutando musica, naquela época eu já cultivava, aliás, desde muito pequeno cultivo o hábito de ter um rádinho, um mp3 ou algo do genero por perto pra desviar a atenção dos meus problemas com música.
Eu não tive, logo, esse modelo clássico de pai que algumas poucas pessoas têm, na minha geração isso eh comum pelo visto.
Aprendi a ser pai, trabalhando desde os 13 pra ajudar a sustentar minha mãe na época desempregada e três irmãs, filhas dum pai sem importância. Aprendi a ser pai das primeiras noites acordado pelo choro de criança e nessa época eram minhas irmãs que eu levava pra hospitais com dores de ouvido.
Chegando em casa com a cabeça cheia de coisas, pensava na morte como algo muito apropriado pra quem está cansado da vida. É como sono, mas sem prazo de retorno.
Todos os domingos de 2005, sem que um só falhasse eu ligava pra minha vó. Ela era atenta à mim. Não admitia, como capricho genético, mas me amava, afinal não vejo motivo pra uma senhora com seus 83 anos cozinhar num domingo.
Sentia falta do meu pai, ela dizia que sabia que eu era importante pra ele, mas eu sempre precisei sentir por minha conta pra acreditar, assim como não gosto do telefone, preferindo olhar nos olhos pra ver e sentir quando converso.
Mas na minha vó eu acreditava.
Uma vez, eu tinha lá pelos meus 10 anos.
Era domingo de sol e estava passando uma reprise de algum filme engraçado na tv.
Ela estava varrendo o chão, sempre achou dignas as obrigações do lar, eu tinha acabado de ser deixado ali pela minha mãe que na época trabalhava no restaurante que depois viria a ser nosso.
Mas ali pela sala, eu deitado no carpete, pensava com fome e pensar com fome é algo primitivo e instintivo ao extremo.
"o que comer?"
Na geladeira, peguei um batavinho, abri e corri pra sala... tropecei na tomada da TV Telefunken com carcaça de madeira e botões que caiu no chão se arrebentando em vários pedaços.
Minha vó veio devagar com os sapatos de sola de madeira fazendo um som estranho nos cacos de vidro que estavam espalhados formando um vitraus no chão.
Sem olhar pra tv, ela viu o iogurte espalhado no chão e perguntou.
- Sie wie Joghurt?
Eu disse:
- Oma, ja!!!!
Sorrindo enrrugadamente ela perguntou;
-Dann, weil verschwendet?
Quando eu comecei a chorar... Ela foi até a cozinha, voltou com um sorriso, uma vassoura numa mão e na outra a tampinha do iogurte dizendo com voz doce de vó:
-Nehmen, können Sie lecken die Spitze!
Acordei hoje pensando nalgo que eu ainda não sabia bem o que era, só sei que os sonhos dessa noite não foram nada colaborativos pra que eu me encontrasse.
Um certo par de olhos, uma certa risada e ...
Enfim, esse destino é incerto, tem seus motivos mas não tem nenhuma lógica.
Pras almas não existe geografia, elas habitam e saem do corpo quando querem vagando mundo afora e causando aquela sensação de "já nos conhecemos" as vezes...
Depois do meu almoço, fui beber um iogurte pra matar a sede e completar aquele espaço vazio no meu estômago que as vezes era paixão e as vezes fome. Quando abri aquela tampinha eu tencionei lamber e...
Hoje, fazem 4 anos que vi meu pai pela última vez. Essa vez por sinal, a mais intensa de todas elas.
Foi numa única vez, a primeira vez que vi meu pai chorar, a unica vez que vi meu avô, aliás ele morreria dois meses depois.
Era Sexta, chovia pouco, era meio que uma garoa programada pra ser melancólica e estafante. Não aliviava o calor e molhava, mas deixava um cheiro brando e adocicado pela hortelã no pátio.
Eu tinha saído do trabalho pra ir até o cemitério e não acreditava direito ainda que tinha recebido uma ligação do meu pai. Eu tava chapado de erva, na época eu ainda fumava machonha e tinha visto um show do Mano Chao recentemente e aquele som mexe mesmo contigo.
Mesmo na época era algo bem raro e marcante pra mim. Ele não tremia a voz ao telefone, era entonada e mais carregada de sotaque que a minha. Dizem que a gente fala parecido, dizem poucos, quase ninguém conhece o Dani... Meu progenitor.
" ...a vó morreu" Disse retendo-se logo depois. Sei lá porque, na hora eu nem liguei muito. Mas depois fui pensando. Fora os 4, 5 anos que eu cresci com o meu pai, eu tinha visto ele 5 vezes depois só. Já a minha avó Maiquel, eu tinha passado bons anos com ela. Sim, Maiquel, minha vó tem esse nome, ele significa algo como Maria para os Eslavos. E dai veio meu nominho lindo que todo mundo erra :D.
Ele tinha um nó na garganta e eu senti isso, se quer saber, foi só por isso que eu aceitei ir com ele. Afinal ele nunca me procurava e eu sempre senti por ele o mesmo desprezo que senti pelos platelmintos.
À caminho do cemitério eu lembrava das horas engraçadas perto da minha vó que eu vi tão rapidamente nos meses de inverno. Ela era e talvez sempre seja a figura mais emblemática da família. Ela cozinhava mal, muito mal, mas ninguém ousava falar aquilo e ainda mais, repetiam com cara de feliz.
Ela nunca pronunciara uma única palavra em português, sabia ler muito bem, mas isso era só. Jamais se questionou essa decisão dela. Ainda que seja engraçado ela ter me inserido no universo Quintanesco , dizia que era o único poeta de quem gostava fora Goethe e Heine e Shakespeare que esse último é meu favorito.
A família era dividida em duas:
uma parte era colada com a vó, filhos, netos, irmãos dela. Todos.
A outra por sua vez eram, meu pai e meu avô, Fitzgerald, eles haviam a muito se separado e só meu pai ainda via meu vô no asilo.
Não que eu sinta saudades do cara que me tirou do saco dele e me jogou no mundo, mas confesso que teria aprendido muito com ele se aquele sarcasmo egoísta não fosse uma parede instransponível pra um moleque novo como eu.
Afinal ele sempre teve, segundo me dizem e eu já vi, uma aptidão fora do comum com numéros primos e lógica fundamental além das dinâmicas do movimento, temperatura e aérea.
Sem falar que ele conseguia deixar boquiabertos mesmo os mais entendidos sobre qualquer coisa com a desenvoltura com que desenvolvia seus textos e era digno dum prémio de oratória; é um grande homem, ainda que não passe de um traste.
Sei que ele tinha algum orgulho do filho pretenso físico, sei que ele gostava de perguntar pra minha mãe sobre as minhas boas notas e que gostava de saber que eu cantarolava as canções que ele me ensinou quando criança. Mas, éramos parecidos demais pra que ele admitisse tanto quanto eu que sentíamos falta um do outro e nem mesmo os outros filhos dele supriam essa carência dele assim como eu não tinha como preencher as lacunas minhas com um pseudo-pai.
- Teríamos sido grandes se nos uníssemos. Eu pensei uma vez. Mas as coisas são como devem ser e ponto.
Aquela garoa mantinha-se no mesmo movimento continuo e sem vento. Eu mal conseguia pensar estando quase ensopado, mas isso era uma questão de ponto de vista. Eu não conseguia era ordenar os pensamentos, mas eles estavam lá. Em cadeia, fundamentando-se nas minhas horas mais felizes.
Depois da cerimonia breve e quase vazia. O corpo desceu, coberto de terra, o caixão marrom carvalho parecia brilhar como sol atrás de nuvens de chuva. Lá se vai meu ultimo resquício de passado.
Depois daquilo, meu pai e eu, saímos pra jantar onde sempre nos encontrávamos quando a coisa envolvia nossos assuntos.
Nenhuma palavra foi dita.
Ele não chorava mais, eu não tinha mais pena dele, nem paciência de ver ele comer vitelo.
Sai dali escutando musica, naquela época eu já cultivava, aliás, desde muito pequeno cultivo o hábito de ter um rádinho, um mp3 ou algo do genero por perto pra desviar a atenção dos meus problemas com música.
Eu não tive, logo, esse modelo clássico de pai que algumas poucas pessoas têm, na minha geração isso eh comum pelo visto.
Aprendi a ser pai, trabalhando desde os 13 pra ajudar a sustentar minha mãe na época desempregada e três irmãs, filhas dum pai sem importância. Aprendi a ser pai das primeiras noites acordado pelo choro de criança e nessa época eram minhas irmãs que eu levava pra hospitais com dores de ouvido.
Chegando em casa com a cabeça cheia de coisas, pensava na morte como algo muito apropriado pra quem está cansado da vida. É como sono, mas sem prazo de retorno.
Todos os domingos de 2005, sem que um só falhasse eu ligava pra minha vó. Ela era atenta à mim. Não admitia, como capricho genético, mas me amava, afinal não vejo motivo pra uma senhora com seus 83 anos cozinhar num domingo.
Sentia falta do meu pai, ela dizia que sabia que eu era importante pra ele, mas eu sempre precisei sentir por minha conta pra acreditar, assim como não gosto do telefone, preferindo olhar nos olhos pra ver e sentir quando converso.
Mas na minha vó eu acreditava.
Uma vez, eu tinha lá pelos meus 10 anos.
Era domingo de sol e estava passando uma reprise de algum filme engraçado na tv.
Ela estava varrendo o chão, sempre achou dignas as obrigações do lar, eu tinha acabado de ser deixado ali pela minha mãe que na época trabalhava no restaurante que depois viria a ser nosso.
Mas ali pela sala, eu deitado no carpete, pensava com fome e pensar com fome é algo primitivo e instintivo ao extremo.
"o que comer?"
Na geladeira, peguei um batavinho, abri e corri pra sala... tropecei na tomada da TV Telefunken com carcaça de madeira e botões que caiu no chão se arrebentando em vários pedaços.
Minha vó veio devagar com os sapatos de sola de madeira fazendo um som estranho nos cacos de vidro que estavam espalhados formando um vitraus no chão.
Sem olhar pra tv, ela viu o iogurte espalhado no chão e perguntou.
- Sie wie Joghurt?
Eu disse:
- Oma, ja!!!!
Sorrindo enrrugadamente ela perguntou;
-Dann, weil verschwendet?
Quando eu comecei a chorar... Ela foi até a cozinha, voltou com um sorriso, uma vassoura numa mão e na outra a tampinha do iogurte dizendo com voz doce de vó:
-Nehmen, können Sie lecken die Spitze!
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Do concreto ao abstrato
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
by AlphaMale
Desconfio de tudo que posso entender, por isso mesmo nem sequer me atrevo à explicar o mundo e conceituar as ações dos homens. Isso é o mundo como se projeta, aquilo que se vê, é só o bastante pra que estejamos satisfeitos em assitir e comentar.
Aliás, que atitude mesquinha, justificar a guerra e o amor .
Tentar deliberadamente obter algo pra si mesmo e nesse processo que outro seja obliterado sumariamente. Inaceitável.
O amor, pior ainda, as pessoas tentam compreender algo que deveriam sentir. Quando é explicado ele torna-se um amontoado de palavras e deixa de brilhar num olhar inesperado, ele deixa de te causar aquela tempestade no estomago, como podem tentar entender quando Deus une duas almas?
Amor não é unilateral, pode ser disseminado e espalhado e é isso que o mantém, é indivisivel e ainda sim infinito, deve ser usado pra que continue a existir.
Sócrates dizia, segundo platão, que é inato ao homem poder julgar o certo e o errado, e mais, referia-se à isso como uma forma de consciencia, talvez o primeiro ensaio sobre uma alma imortal que transcendesse a ídea do divino. Existencia mundana e sobrenatural.
Nisso, apenas tento justificar aquilo que não compreendo, até porque, seria por demais simples falar do que é compreensivel e deixar de lado os mistérios da vida.
Sabe que, sempre pensei na vida como uma sucessão de fatos consequentes de ações primárias isoladas. Isso até conhecer fisica analitica e logo depois a
teoria das cordas que me clarearam a visão turva sobre essa experiencia fundamental. À essa teoria em particular eu devo minha vida, ela mesmo não sendo ainda totalmente aceita pelo meio acadêmico, justifica em meu coração com todas as provas que existir e viver são coisas desconexas.
Diz ainda que além é claro da gravitação quantica (:P) ela pra mim, justifica as leis da ação isolada e da reação proporcional. Me fazendo merecedor das boas horas e estando à mercê das minhas próprias escolhas, assim moldando meu julgamento e me tornando o que eu sou hoje. Esse modelo pomposo e arbitrário de homem.
Assim, essa eterna alma aqui dentro, que moldada pelo caráter pré definido de Sócrates caminha na fina linha do momento até o incerto horizonte desenhado em giz lá no fim da estrada.
Sem duvidas eu de alguma forma mereci ser punido por acreditar em um amigo, que depois percebi, não era amigo. Eu mereci passar o melhor reveillon da minha vida do lado de pessoas que à muito pouco conheço e mereci também cada riso da minha filha que é a coisa mais perfeita que Deus poderia conceber.
Mereço ser feliz, enfrentar essas momentaneas explosões de confusão nessa cabeça como uma pessoa normal.
Ainda que eu seja uma bomba relógio, com prazo pra explodir. Mereço viver esse tempo entre nascimento e morte com alguma dignidade e egoísmo.
Ora, porque não ser um cara comum? Um cara simples....
A Karo me disse a bastante tempo que tinha uma música que, nas palavras dela era muito "eu " e a letra dela diz isso:
If I was a simple man,
Would we still walk hand in hand?
And if I suddenly went blind,
Would you still look in my eyes?
What happens when I grow old?
And all my stories have been told?
Will your heart still race for me?
Or will it march to a new beat?
If I was a simple man
If I was a simple man,
I'd own no home, I'd own no land
Would you still stand by my side?
And would our flame still burn so bright?
Sometimes I wonder why,
I'm so full of these endless rhymes
About the way I feel inside
I wish I could just get it right
If I was a simple man
And I could make you understand
There'd be no reason to think twice
You'd be my sun; you'd be my light
If I was a simple man...
If I was a simple man...
Sometimes I wonder why
I'm so full of these endless rhymes
About the way I feel inside
I wish...
Sometimes
De fato, nunca vi antes numa melodia, somada à uma letra simples, tamanha semelhança com a minha vida, os meus medos, a minha solidão projetada numa música simples. Contundente de fato e tão sussurada. Me lembra mesmo as composições que eu escrevia na época de banda. Coisa de quarto e solidão que só entende o mais notívago dos homens. Essa é mesmo a MINHA musica.
Aliás, que atitude mesquinha, justificar a guerra e o amor .
Tentar deliberadamente obter algo pra si mesmo e nesse processo que outro seja obliterado sumariamente. Inaceitável.
O amor, pior ainda, as pessoas tentam compreender algo que deveriam sentir. Quando é explicado ele torna-se um amontoado de palavras e deixa de brilhar num olhar inesperado, ele deixa de te causar aquela tempestade no estomago, como podem tentar entender quando Deus une duas almas?
Amor não é unilateral, pode ser disseminado e espalhado e é isso que o mantém, é indivisivel e ainda sim infinito, deve ser usado pra que continue a existir.
Sócrates dizia, segundo platão, que é inato ao homem poder julgar o certo e o errado, e mais, referia-se à isso como uma forma de consciencia, talvez o primeiro ensaio sobre uma alma imortal que transcendesse a ídea do divino. Existencia mundana e sobrenatural.
Nisso, apenas tento justificar aquilo que não compreendo, até porque, seria por demais simples falar do que é compreensivel e deixar de lado os mistérios da vida.
Sabe que, sempre pensei na vida como uma sucessão de fatos consequentes de ações primárias isoladas. Isso até conhecer fisica analitica e logo depois a
teoria das cordas que me clarearam a visão turva sobre essa experiencia fundamental. À essa teoria em particular eu devo minha vida, ela mesmo não sendo ainda totalmente aceita pelo meio acadêmico, justifica em meu coração com todas as provas que existir e viver são coisas desconexas.
Diz ainda que além é claro da gravitação quantica (:P) ela pra mim, justifica as leis da ação isolada e da reação proporcional. Me fazendo merecedor das boas horas e estando à mercê das minhas próprias escolhas, assim moldando meu julgamento e me tornando o que eu sou hoje. Esse modelo pomposo e arbitrário de homem.
Assim, essa eterna alma aqui dentro, que moldada pelo caráter pré definido de Sócrates caminha na fina linha do momento até o incerto horizonte desenhado em giz lá no fim da estrada.
Sem duvidas eu de alguma forma mereci ser punido por acreditar em um amigo, que depois percebi, não era amigo. Eu mereci passar o melhor reveillon da minha vida do lado de pessoas que à muito pouco conheço e mereci também cada riso da minha filha que é a coisa mais perfeita que Deus poderia conceber.
Mereço ser feliz, enfrentar essas momentaneas explosões de confusão nessa cabeça como uma pessoa normal.
Ainda que eu seja uma bomba relógio, com prazo pra explodir. Mereço viver esse tempo entre nascimento e morte com alguma dignidade e egoísmo.
Ora, porque não ser um cara comum? Um cara simples....
A Karo me disse a bastante tempo que tinha uma música que, nas palavras dela era muito "eu " e a letra dela diz isso:
If I was a simple man,
Would we still walk hand in hand?
And if I suddenly went blind,
Would you still look in my eyes?
What happens when I grow old?
And all my stories have been told?
Will your heart still race for me?
Or will it march to a new beat?
If I was a simple man
If I was a simple man,
I'd own no home, I'd own no land
Would you still stand by my side?
And would our flame still burn so bright?
Sometimes I wonder why,
I'm so full of these endless rhymes
About the way I feel inside
I wish I could just get it right
If I was a simple man
And I could make you understand
There'd be no reason to think twice
You'd be my sun; you'd be my light
If I was a simple man...
If I was a simple man...
Sometimes I wonder why
I'm so full of these endless rhymes
About the way I feel inside
I wish...
Sometimes
De fato, nunca vi antes numa melodia, somada à uma letra simples, tamanha semelhança com a minha vida, os meus medos, a minha solidão projetada numa música simples. Contundente de fato e tão sussurada. Me lembra mesmo as composições que eu escrevia na época de banda. Coisa de quarto e solidão que só entende o mais notívago dos homens. Essa é mesmo a MINHA musica.
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