Consequencia...

terça-feira, 30 de junho de 2009 by AlphaMale
...Sem me importar com o barulho que faria, fechei o portão atrás de mim. A porta eu empurrei com o pé direito, enquanto o pé esquerdo abria a geladeira pra pegar uma lata de energético.
Tava guardando pro fim de semana, mas, ainda tem 23 latas. Uma só não me mata.
Dei um gole seco na garrafa com a tarja laranja. Acompanhado pelo "ahhhh" que etilico me salva, o siêncio que se desenrola após bebermos o veneno.

Com o fone de ouvido ainda estragado, escutava uma das músicas da seleção que eu tinha feito pra gente.
Joguei os fones no canto e desliguei o celular. Esse tá desligado até agora.
Apaguei a luz do corredor e subi a escada em caracol que leva pro meu quarto.
A chave joguei naquela gaveta que fica no canto, no chão.
Cruzei os braços atrás da nuca e cai pesado no colchão que está jogado no chão.
Tirei os tênis, cada um com o pé oposto, chutando longe só pra descontar o descontentamento e liguei a TV com o pé mesmo.
Fiquei olhando aquela lâmpada incandescente até meus olhos doerem e quase ficar cego.
Não conseguia ouvir nada.... Impressionante mas nenhum som entrava nos meus ouvidos.
Só o do vento passando pelas folhas e pedindo silêncio na rua.

A janela que bateu com muita força na parede do outro quarto me trouxe de volta daquela viagem e levantei de sobressalto, já decidido a colocar os tênis e o casaco mais pesado.
Sem ter muita certeza eu sai pra rua da mesma forma que entrei em casa. Displicente, barulhento e indiferente.
Aquele vento gelado no rosto, meu casaco verde favorito ondulando no ar em movimento.
A forma como a luz dos postes parecia se desfiar em raios alaranjados e as folhas secas rolando pelo chão com aquele vento que retorcia os galhos e assustava os cachorros.
Jesus bem ali na esquina, mendigando como todas as noites. Maltrapilho e com um colchão nos braços, salvo do frio por uma parede, sua unica salvação naquela noite.

Apostei corrida comigo mesmo até o ponto de onibus e perdi. Perdi o fôlego e algum resquicio de razão que ainda me tinha restado.
A cabeça tão cheia de razões que eu desconhecia, cercada de idéias e eu aqui, me sentindo uma peça de museu, ultrapassado homem antigo do século passado. Com meus sapatos cansados e meu hálito de vodka.

Desde um tempo que antecede a existencia, a luz e a sombra, o certo e o errado, uma treva e um clarão.
Vivem num equilibrio ciclico, se enfrentando dentro da minha mente noite e dia.
Numa batalha tão complexa como o nascimento e a morte de uma estrela.
Onde não há lado bom nem lado mau, apenas o lado que estamos nesse momento. Ora um, ora outro.
Essa batalha que em dado momento na história desse universo que vivemos, ocorreu entre um tigre e um dragão, esse momento que foi eternizado na minha pele, com tinta preta e agulha prata.
Em sombra e luz, essa batalha sem vencedor, sem perdedor, cujo único sentido de existir é o fato de que é necessária pra que a vida continue.
Todo inicio precisa ter sido um fim antes de novamente começar e assim, nesse ciclo ininterrupto como se fosse energia gerando energia e força gerando ação, ação gerando reação.
O momento que precede o impacto, é o de maior paz. Como quando me joguei do segundo andar, pra ver se ainda sabia voar e, me doeu mais saber que minhas asas não estavam lá, do que bater a cara no concreto.
Sai vivo, por obvio, ileso até, mas a que custo? Abri mão daquilo que me faz ser quem sou, pra ser alguém que gostaria.

No onibus que rumava em direção ao leste, vi as ruas e as arvores passarem. Vez que outra alguem sem pescoço com os ombros grudados na própria face e as mãos no bolso passava rápido como uma bala pela janela.
Esse frio e esse escuro da noite me protegiam e garantiam a solidão necessária pra se pensar. Havia muito o que considerar.

O sexo vendido nas esquinas não me atraía. Nem as luzes de um bar. Nem o conteudo de suas garrafas solitárias na prateleira.

Caminhei pensando no que tinha dito a tarde pra uma conhecida. Sobre a dúvida e a certeza.
Citei um trabalho de conclusão que fiz no seminário.

Mas.. isso já é historia pra outra hora.
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Conclusão obvia

segunda-feira, 29 de junho de 2009 by AlphaMale
ninguém ...
nem mesmo os Deuses que no Olimpo residiam.
Nem mesmo eles agradavam aos gregos e aos troianos.
Nenhum de nós consegue sequer ser neutro.

Tenta fazer algo se conciliar e no fim quem se ferra, és tu mesmo, imbecil criatura.

Nessas horas, a conclusão é mais que obvia.
Eu tenho mais....


Tenho mais que me fuder mesmo.
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Por onde caminha o meu bem!?!?

by AlphaMale
Que importa o que se acaba de fazer, uma bela estrada de tijolos amarelos, cravejada de pedras raras, feita à minuscia, devotadamente e com ardor de paixão.

Para o meu, para o meu amor passar....

Que ninguem mais a veja. E que pra sempre em segredo esteja, essa bendita estrada.

Seja meu caminho de retorno. Um segredo um maldito transtorno.
Acho que pavimentar não é pra mim.

Ou não sei empreitar, ou precise tão somente flutuar.

No céu talvez, já que na terra, não entenderam. Talvez lá encontre paz.

Será?

Até onde vão essas palavras que repito, que vento há de levar elas até o teu ouvido?

Vais me escutar essa noite? Se escutar vai me entender? Se entender vai acreditar?

Se acredita porque não compreende?

Que mundo eu preciso mover? Que estrela tenho que apagar?

Nessa galáxia, três milhões de cada planeta como a terra.
Nesse universo, três milhões vezes três milhões de galáxias como essa...
Mas em cada uma delas, somente um de cada um de nós.

Que adianta, todo caminho que já fiz, todas pedras que levantei, chutei, arremessei, assentei, ajeitei e lapidei.

Talvez, seja no fim inutil saber.
Por onde tu anda. Já que nessa estrada que eu fiz, tu relutas em passar....
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No futebol assim como no sexo...

sexta-feira, 26 de junho de 2009 by AlphaMale
No futebol, como no sexo, as pessoas suam ao mesmo tempo, avançam e recuam, quase sempre vão pelo meio, mas também caem para um lado ou para o outro, e às vezes há um deslocamento. Nos dois é importantíssimo ter jogo de cintura.

No sexo, como no futebol, muitas vezes acontece um cotovelaço no olho sem querer, ou um desentendimento que acaba em expulsão. Aí um vai para o chuveiro mais cedo.

Dizem que a única diferença entre uma festa de amasso e a cobrança de um escanteio é que na grande área não tem música, porque o agarramento é o mesmo, e no escanteio também tem gente que fica quase sem roupa.

Também dizem que uma das diferenças entre o futebol e o sexo é a diferença entre camiseta e camisinha. Mas a camisinha, como a camiseta, não distingue, ela tanto pode vestir um craque como um medíocre.

No sexo, como no futebol, você amacia no peito, bota no chão, cadencia, e tem que ter uma explicação pronta na saída para o caso de não dar certo.

No futebol, como no sexo, tem gente que se benze antes de entrar e sempre sai ofegante.

No sexo, como no futebol, tem o feijão com arroz, mas também tem o requintado, a firula e o lance de efeito. E, claro o lençol.

No sexo também tem gente que vai direto no calcanhar.
E tanto no sexo quanto no futebol o som que mais se ouve é aquele “uuu”.

No fim sexo e futebol só são diferentes, mesmo, em duas coisas. No futebol não pode usar as mãos. E o sexo, graças a Deus, não é organizado pela CBF.
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Sonho ou Lembrança???

quinta-feira, 18 de junho de 2009 by AlphaMale
... Cheguei por volta das 23:00, cansado e com o nó da gravata desfeito.

Abri o portão devagar pra não chamar atenção e só fiz um afago no cachorro pra que esse não me denunciasse.

- Ela arrumou o jardim de novo! Linda essa tulipa, mas aposto que o cão come em dois dias...

A mão teimava em levantar até a fechadura, mas ainda sim com o casaco no braço esquerdo, girei a chave e puxei com a outra mão a maçaneta silenciosa e macia.
Ela estava linda naquela minha calça de moleton cinza bem larga, cabelo amarrado alto deixando o pescoço a mostra.
Ai como eu amo aquele pescoço branquinho e cheiroso!!!
Sempre me dá ânsias de chegar por trás de mansinho e morder ele, chegando à orelha e dizendo o quanto estive com saudade.
De costas pra mim e pra porta marrom, ela mexia o feijão que levantava um cheiro de louros e manjericão que me fazia lembrar da infância.
Ouvi os sussuros que ela de leve cantava na nossa música .
Com passo leve do meu sapato preto, eu caminhei devagar até ela. Sem alarde abracei pela cintura, a mão com as flores passou mais alto na frente do rosto dela, que ouviu minha voz dizendo rouca um "te amo, tava com saudade...". Com sorriso lindo e aberto, os olhos ainda fechados quando respirou fundo o meu cheiro, ela passou as mãos macias no meu pescoço.

Se virou como sempre fazia e levantou-se sobre os pés pra me beijar.
Combinamos não ter muitas coisas decorando a casa, mas era aconchegante e nosso sofá bem grande, afinal era nosso ninho. Peguei ela pelo colo sem muita dificuldade, deixando cair a colher ela só disse: "seu louco.." antes que eu a beijasse de novo.
Não importava que a semana toda não conseguisse tempo de respirar sem pensar nela, ou mesmo quando ligava só pra dizer bom dia. Era ela que me dominava os pensamentos.

Deitamos ali, ela sobre o meu colo em silêncio, me olhando com aqueles olhos que reflectiam meu rosto. Me lembrei de como eu disse que ela me fazia ver melhor a mim mesmo naqueles olhos e de como as coisas foram no começo.

A indecisão, o medo e até o receio. Dúvidas de toda sorte que sempre se desenham na nossa cabeça.

Voltei daquilo no meio do ..."esligar o fogo do feijã..."
Sai dali também, dizendo que já voltava peguei minha toalha azul e fui pro banho.
Liguei o aquecedor e olhei no espelho aquela cara cansada.

- Vou fazer essa barba como sei que ela gosta...
(*bocejo acompanhado dos braços esticados... e ahhhhhhhhh cansera)
Entrei no chuveiro como sempre faço, pé direito, braço esquerdo, bom se a agua está quente, cabeça, costas...
Aqueles sagrados minutos debaixo d'agua quente pensando na vida. Maior prova de que o tempo é relativo.
Duas batidas do lado de fora da porta tiveram como resposta um "tábertooo".

O rosto coberto de dois fios de cabelo preto fazendo bico adentra porta, a pergunta é simples.
- Quer carne também? A resposta mais ainda, "alguma vez eu não quis?"
Sorrindo como veio, depois de mandar um beijo, virou, fechou a porta atrás de si e voltou pra cozinha.
Olhei no relógio por quase 1 minuto pra saber que eram 23:34, nunca aprendi direito a ver os ponteiros mas, o relógio era tão lindo que eu não me desfaria dele por nada.

Secando a cabeça sai só de cuecas pela casa até o quarto e ouvi um "beeeeem, tá pronto" sair da cozinha quando terminei de vestir a camiseta.
Uma mesa pra três, dois sentados, se olhando.

Peguei a mão dela, macia, lisinha e de unhas recém feitas. Olhei nos olhos de novo antes de me levantar arcado na direção dela beijando-lhe a testa.
O feijão tinha aquele gostinho tão delicioso que quando o aroma invadiu minha boca, senti a saliva chegando ao fundo da boca.
Na primeira sempre esqueço de assoprar, engoli quente e rápido, seguido dum copo de água que me fez ficar vermelho e despertou a gargalhada na face cansada e atenciosa dela.
Mais calmos, perguntei praquela que a minha frente repousava a cabeça na mão enquanto comia... - Novidades?

A face dela se iluminou quando ouviu meu questionamento e antes de respirar fundo vi seus olhos mais umidos quando com estas palavras abriu meu mundo e me fez o homem mais feliz da terra...

"Tô grávida...."
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