Amplexo cronológico

terça-feira, 16 de junho de 2009 by AlphaMale
Tinha dois braços de aço, um mais longo que o outro.
Um terceiro, esse mais inconstante, cingia todo o circulo em questão de minuto.
Seus segredos, números romanos dourados e riscados de ferrugem, eram tão vistosos que brilhavam mesmo na sala sem luz da velha casa.
Tão alto, tão sozinho, esguio, languido de carvalho. Pés largos em quadrado.
Rosto impávido e altivo. Se bastava na sua solitude. Demorava pesadamente pra se anunciar.

Um coração que badalava, ora pra uma esquerda, ora pra outra.
Aquele seu coração de ouro maciço, puro e brilhoso, luminava meus olhos de guri.
O tempo que passava, dum lado ao outro do seu coração, levava em si a batida do meu.
No tempo do tempo, ao tempo no tempo.

Adornava meu canto da infancia mais esquecida. Atrás de si uma janela de campo verde, um sol que nascia laranja e um rio que turvo passava verde.

Enchia de significado meu dia que passava nos circulos que ele descrevia, me abraçando com o compasso do passar de suas horas.

Um gato pardo, malhado, sei la colorido no canto do quarto do tio inválido, pesava seus pés sobre o assoalho que rangia, seu pelo pela casa espalhado, me dava até mesmo alergia, essa que não compensava a alegria de ver outro ser vivo na casa que não aquele semi-morto na cama.

Meu nome não era ouvido em nenhum momento... aliás esse era o meu maior lamento, não saber quem eu sou.
Mikail, Maiquel, Guri, Tu aí... tunnnn, tunnnn, tunnnn. Três da manhã e eu aqui, sentado no costado da sala, perna cruzada, olho quieto boca que cala e sem saber porque, aquelas bolhas no canto do olho.
Apertava meus dedos contra as pupilas, via duas, três coisas iguais. Girava o dedo, perdia a noção do tempo, todo tempo me assuatava, o vento já figurava entre meus vilões. Batia janelas, assoviava frio, assustava os cavalos.

No passar daquelas horas que me trazia o vetusto, senti mexer o chão e vi passar o tempo, nesse som do badalar dos momentos que nos anos passou me vi num futuro longe, do meu eu de hoje, perto de ti amanhã.
Senti teu hálito da manhã que acorda e teu olho recém aberto.
Estiquei meu braço no abraço que diz bom dia.
Na cama que nos acolhe, num quarto que nos esconde. Nesse canto sul do planeta que nos assiste, despertos pelo sol que nos felicita.

Nesse embalo, eu vi, eu mesmo, e a ti.

Sonho, ilusão, viajem...
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Do céu ao Inferno e vice versa

segunda-feira, 15 de junho de 2009 by AlphaMale
Ontem a noite, 14-06, tive que ir ao apartamento de uma colega pra terminarmos um trabalho, uma pesquisa sobre tributação comercial no instituto Liberdade e ela mora no 13° andar de um lindo prédio do centro de Porto Alegre.

O elevador, uma rica peça ornamentada em madeira rústica e bronze maciço, cheia de detalhes em couro e ricamente acabada.
Sempre tive lá minha paixão por elevadores mas uma coisa em particular me chamou atenção neste, claro além da decoração.

Ao invés daquelas chatas músicas de sala de espera de consultório dentário, um som agradável do Frank Sinatra, cujo nome não me recordo no momento. Mas que me agradou por ser suave e, qual não foi minha supresa ao notar um pontinho azul no canto do lado dos botões.
Uma luz fraquinha brilhava e aproximando o olho eu bi um simbolo peculiar que parecia uma letra "B". De pronto reconheci um simbolo de Bluetooth.
Percebi que meu celualar estava com o bluetooh ligado e no meu playlist tem ao menos duas musicas do homem.

Na sequencia da musica, uma do unkle, tocou e minha surpresa foi maior ao descobrir que o elevados tem sincronia com bluetooth de dispositivos módeis e sintonza rádios on line e sites de música conforme o gosto do "passageiro".

A Marcia me explicou que isso eh uma novidade em países modernos e que tá se tornando mania em lugares como o Japão onde eles contam ainda com monitores sintonizando até mesmo canais de esporte ou sites de noticia.

Pesquisei algumas novidades do genero na Internet hoje mas as melhores noticias relacionadas que encontrei foram posts sobre um elevador que tem imagens do artista
Marco Brambilla , passando em tempo real ininterruptamente.

Segue vídeo logo abaixo com a demonstração.


Civilization by Marco Brambilla from CRUSH on Vimeo.




Quem me dera um elevador na minha humilde residenci, não aguento mais aquela escada caracol rangendo...
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Partly Cloudy - o Novo Curta da Disney - Pixar

sexta-feira, 12 de junho de 2009 by AlphaMale
A disney acaba de lançar um novo curta metragem e eu achei fantastica a história, além de bem humorado e com arte muito bem feita como de praxe, ele tem enredo lindo sobre uma história de amizade que enfrenta as adiversidades e ressalta o companherismo e o enfrentamento das diferenças que consistem na relação amizade.


Tirado do Site Ovelho:
Enjoy

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Solidão por Chico Buarque

quarta-feira, 10 de junho de 2009 by AlphaMale
Um ar meio cinza numa nuvem meio azul no céu de Junho me lembrou da solidão.

Daí em diante me questionei sobre os porquês disto e daquilo.
Como todo mundo bem sabe, eu questiono tudo que respira, enxerga, anda ou se move, as vezes o simples fato de cogitar existir é motivo pra eu questionar.

Sabe a sensação do incompleto? Ainda sinto :(
Ainda. A solidão. Aquele vazio esmagando meus pulmões sem ar, ainda tá lá.

Eu que sempre soube onde me encontrar, to perdido. Por isto mesmo, só.

Por Chico Buarque:

Solidão


Solidão não é falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo. Isto é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar. Isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos. Isto é equilíbrio.

Solidão não é claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida. Isto é princípio da natureza.

Solidão não é vazio de gente ao nosso lado.Isto é circunstância.

Solidão é muito mais que isso. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.
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Marion Zimmer Bradley

quarta-feira, 3 de junho de 2009 by AlphaMale
Hoje, à 3 de junho de 1930, nascia uma das minhas favoritas autoras, talvez dentre as de ficção a melhor que já existiu.
Marion me fascinou pelo menos em dois momentos enquanto lia seus dois mais conhecidos livros:
- Brumas de Avalon e;
- O Incêndio de Tróia .
Ambos retratam épicos comuns da literatura mundial, porém com um diferencial mágico. Relatados por mulheres.
Em brumas, Marion reproduz com integridade única e de forma deliciosamente atraente a Saga do Rei Arthur e seus cavaleiros. Como poucas vezes tive o prazer de viajar ao universo medieval tão nitidamente contrastado com as ansias da idade das trevas.
Nesse livro, que no Brasil foi dividido em 4 volumes, a Bretanha no tempo de sua "colonização" é desenhada de forma apurada como se a autora estivesse vivenciando todos os momentos desde o corte dos pastos ao forjar das espadas.

Tudo, sempre narrado pelo olhar detalista de suas personagens.

As batalhas, o temor, a esperança residentes do coração das bravas mulheres que fizeram da Inglaterra um Reino, são fielmente exibidas em linhas cheias de aventura mesclada com amor.

Naquela terra que começava a ser bombardeada pelos preceitos cristãos, homens derramaram sangue por seus ideais.

A forma como ela descreve cada instante, cada vida e olhar atentos às transformações do mundo é tão apaixonante quanto catastrófica e dolorosa. Não tem como não emocionar-se com os livros.

No Incendio, Cassandra é o personagem central, a profeta dos tempos mitológicos de Zeus é a narradora dum drama épico sem precedentes onde uma cidade é invadida por seus inimigos após anos de batalhas.
Relata o estratagema mais ardiloso jamais compactuado nonde reside a maldade de se presentar o inimigo, inflando seu Ego e baixando suas defesas. Talvez um das mais conhecidas e ardilosas tratativas de guerra que gerou inumeras expressões e dezenas de filmes, poemas e literatos.
Cavalos de tróia são nossos virus de computador, são presentes de Grego, são formas de se obter algo por meios escusos.

Essa obra nos leva a conhecer uma Cassandra humana, desprovida de seus traços caracteristicos de vidente pedante e temerosa pelos desastres que se avizam.

De seu nascimento à queda do Trono troiano, dos Deuses e sua influencia na sociedade presente, todo um universo baseado em arquivos tirados do Grego Original, e trabalhosamente desmembrados por Marion em seu esforço de trazer á vida uma catástrofe dramática e sanguinária.

Uma mulher tambem figura saliente nesse meio, Helena, a cobiçada.
A mais desejada das mulheres, aquela que despertou ira e paixão nos corações de Deuses e Humanos, aquela que moveu nações e que de tão bela, não caberia descrever nem em estrelas nem céu de Olimpo.

Sem falar em Darkover, um universo de ficção cientifica tão elaborado que faria Tolkien parecer um menino de primário.



Por essas razões e principalmente por estas obras, Marion é na minha opinião, a mais fantástica e revolucionária escritora que já andou por nosso chão.
Uma pessoa que enfrentou preconceitos por sua sexualidade, por seus ideais, que lutou contra miséria e contra o preconceito e o machismo tão presentes na sua vida naqueles tempos.

Marion me fez um apaixonado por seus livros e um fã incondicional de ficção cientifica e fantasiosa.

Feliz aniversário, Marion Zimmer Bradley!!!!
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